domingo, abril 20, 2008

W. B. Yeats - Para um amigo...

Esta tradução data de fins de 2004. Àquela época, ainda estava gatinhando neste ofício da tradução, de cujos píncaros estou ainda mui distante, mas agora pelo menos eu SEI do que se trata a arte. E sabendo para onde se quer ir, se se não logra alcançar a meta desejada, tem-se a consciência de percorrer o reto caminho - e se vai obrando, o melhor que pode, em meio ao percurso. Enfim, o que quero dizer-vos é que a tradução não está das melhores (provavalmente, está das piores), mas não vou corrigi-la (muito), pois que foi de coração, embora bem se saiba que intenções nem de longe são justificativas para algo mal feito. Contudo, a fim de lhes não privar da beleza da obra, trago à colação o original, para maior escarmento da versão portuguesa.

Luiz de Carvalho


Para um amigo cujo

esforço não deu em nada

Toda verdade está revelada,

Sê discreto e à infamante

Garganta faze-a derrotada,

Na medida em que a ti compete,

Como te conservarás honrado

Ante a quem, por ditos escarninhos,

Provou não se sentir envergonhado

Nem ao menos perante seus vizinhos?

Preparado para maior destino

Que o Triunfo, abandona tais planos,

E como um ridente violino

Onde se agitam loucos dedos ufanos,

Em meio ao escabroso penhascal

Sê discreto e, então, prevaleças,

Pois de todo o sabido afinal

Esta é a mais difícil das empresas.


To a friend whose work

has come to nothing

Now all the truth is out,

Be secret and take defeat

From any brazen throat,

For how can you compete,

Being honour bred, with one

Who, were it proved he lies,

Were neither shamed in his own

Nor in his neighbours´ eyes?

Bred to a harder thing

Than Triumph, turn away

And like a laughing string

Whereon mad fingers play

Amid a place of stone,

Be secret and exult,

Because of all things known

That is most difficult.

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