domingo, novembro 25, 2007

Voltaire, Vol et taire

“O plágio, a cópia”
In:
Pequena Fábrica de Literatura

O plágio é a reprodução pura e simples de um texto ou um fragmento de texto. Plagiar, diz o dicionário Robert, é copiar de um autor, atribuindo a si indevidamente as passagens da obra.

François Maynard (1582-1646)

Os humores teus são governo de estado;
Teu capricho faz calma e tempestade
E tu ris quando vês-me confinado
Em minha vila, longe da majestade.

Cléomedom, tudo sai-me a contento:
É tão belo o deserto em sua guarita,
Reconheço e me rendo a este tempo,
Fujo ao mundo e me torno eremita.

Sou feliz de enrugar sem ter prestia,
De me esconder, viver qual se queria,
Fazer troça do medo e da esperança.

Caso o Céu, que tão bem me recebeu,
Se apiede, de tu e desta França,
O teu gozo seria igual ao meu.


Voltaire (1694-1778)

É teu humor governo de estado;
Tua vontade faz calma e tempestade;
Mas tu ris quando vês-me confinado
Em minha vila, longe da majestade.
Que mal há, enrugar sem ter prestia
Não ter zelos, viver qual se queria?
Ah! Se o Céu, que tão bem me recebeu,
Se apieda, de tu e desta França,
O teu gozo seria igual ao meu.


Vejamos como Voltaire se justificava do procedimento, nas suas Cartas Filosóficas:

“Quase tudo é imitação. O Boiardo imitou o Pulci, e o Ariosto o Boiardo. Os espíritos mais originais emprestam um dos outros. Metastásio compôs a maioria de suas óperas a partir das tragédias francesas. Diversos autores ingleses nos copiaram e calaram isso. Livros são como o fogo das lareiras: toma-se o fogo no vizinho e acende-se em casa, passa-se adiante e ei-lo pertencente a todos.”

quinta-feira, novembro 15, 2007

Aos que lêem o blog Traduções Gratuitas, informo que estou a revisar os textos de Lavelle. Recomendo a quem por acaso os andou gravando off-line copiá-los novamente. Em alguns houve mudanças aqui e ali, mas em outros aconteceu de mudar até uns significados. De forma geral estão mais elegantes, a distribuição de vírgulas está mais à moderna.

Não sei se os senhores notaram, mas esta é uma operação a que me dedico sempre, e não só com os trabalhos de Lavelle. Alguns textos que constavam neste espaço hão sumido, outros modificaram-se bastante. Os longos períodos sem novidades são não poucas vezes interstícios para trabalhos internos, e invisíveis, já que mui raro se percorrer os blogs por inteiro. Este aqui, com todas as deficiências, quer-se mais como biblioteca, pouco importando a ordem em que se lhe consulte - as efemérides aqui não têm vez, com uma exceção ou outra.

Luiz de Carvalho.

P.S.: agradeço publicamente à sugestão do leitor P.S.. Graças a ela este saite foi lincado no da Association Louis Lavelle. É vergonha para o Brasil que meu bloguinho seja a única referência em lingua portuguesa para a obra do filósofo francês.