quinta-feira, maio 03, 2007

Raimundo de Sèze - A defesa de Luís XVI

Antes do mais, esclareço: não sou monarquista.

Luiz de Carvalho.


“Cidadãos, representantes da Nação, enfim é chegado o momento em que Luís, acusado em nome do povo francês, poder-se-á fazer escutar por esse mesmo povo! É chegado o momento em que, cercado daqueles conselhos que a humanidade e a lei lhe outorgaram, pode apresentar à Nação sua defesa e expor-lhe as intenções que sempre o animaram! Cidadãos, falar-vos-ei com a sinceridade de um homem livre: procuro no meio de vós juízes, mas não vejo senão acusadores! Quereis pronunciar a sorte de Luís, e vós mesmos o acusais! Quereis o voto, e vós mesmos já o destes! Quereis pronunciar a sorte de Luís, e vossas opiniões se alastram pela Europa! Luís será o único francês para quem não existem nem lei, nem formalidades! Não gozará nem da antiga, nem da nova condição! Destino estranho e inaudito! Franceses, a revolução regeneradora dotou-lhes de grandes virtudes, mas cuideis de que não se tenha enfraquecido em vossas almas o sentimento de humanidade, sem o que não há virtudes, senão as falsas! Dai ouvidos à história do futuro, ao apregoar seu renome: ‘Luís subiu ao trono com vinte anos, e com vinte anos era exemplo de conduta; não tinha fraquezas culpáveis, nem paixões depravadas; era contido, justo e severo; sempre mostrara-se amigo do povo. O povo desejara a eliminação de um imposto pernicioso: ele o eliminara; o povo pedira a abolição da servidão: ele começara por seus domínios; o povo solicitara reformas na legislação penal, para abrandar a sorte dos acusados: ele a reformara; o povo quisera estender e devolver a milhares de franceses os direitos de cidadania, a quem os rigores do uso haviam privado até agora: ele os concedera por meio das leis’. O povo quisera liberdade, e ele lha dera! Viera ao encontro do povo por seus sacrifícios e, contudo, é em nome desse povo que hoje lhe interrogam... Cidadãos, eu não terminei... EU ENCERRO DIANTE DA HISTÓRIA: vigiai, pois ela julga os vossos julgamentos, e os séculos lhes dá a sentença”.