terça-feira, julho 11, 2006

Uma Questão de Princípio

A 9 de Julho de 1860, os Cristãos Árabes sofreram uma perseguição mais, das muitas que os Muçulmanos lhes infligiram, ao longo de um dilatado historial. Com a cumplicidade do governador turco, que pensava assim, pela solidariesdade religiosa, neutralizar a hostilidade da população aos otomanos, foram assaltados os bairros maronitas de Damasco, pilhadas e incendiadas as casas e mortas muitas pessoas, sendo as restantes, de facto, obrigadas a emigrar. Este tristissimo episódio culminou os confrontos em que milhares de Crentes do mesmo Rito pereceram no Líbano, em confrontos com os Drusos, perante a aprovação do delegado de Istambul, o qual, quando a mortandade já tinha operado, se ofereceu à comunidade que vira tantos dos seus sacrificados para lhes garantir a segurança, desde que reconhecessem a imunidade aos autores dos crimes e desistissem de pedir a restituição de bens pilhados. Foi esta parcialidade, na tentativa de cimentar uma administração odiada à custa dos que se não podiam defender, que levou as potências a determinar uma elaboração nova do Direito de Ingerência, cometendo à França o envio de tropas para impor a ordem, no que Napoleão III baptizou, pioneiramente, de «Expedição com Fim Humanitário».
A rememoração deste facto deveria levar muitos cristãos a fazer paralelos com os assaltos que nos seus próprios territórios, comunidades como a Judaica, por, como a maronita, serem ricas, influentes e não-maioritariamente alinhadas, sofreram. Tal como nos deveria fazer reavaliar intervenções como a no Kosovo, há um par de anos. Quanto a esta última, recordo que, compreendendo muito embora os motivos, assinei um protesto contra a intromissão americana na ex-Jugoslávia. É que, apesar das deficiências volitivas, a intervenção deveria ter tido lugar por mãos e aviões europeus. Nestes casos extremos dever-se-ia chegar a uma partilha do Mundo a intervencionar, com uma reactualização de Monroe, vedando aos EUA a acção na Europa, aos Europeus as operações nas Américas e permitindo-as a ambos, quando a protecção dos carecidos fosse premente, no resto do Mundo.

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